domingo, 2 de agosto de 2015

Luz


Acho que me apaixonei primeiro pelas mãos. Me lembro vagamente, estávamos todos nós - éramos sempre uns seis ou sete desocupados - deitados no chão. Todos olhavam a TV e eu olhava para ele. Assim adormeci, com a cabeça no colo do meu namorado. Sonhei um sonho de cores vivas. Estava sentada em cima dele, que deitado me agarrava a cintura com as duas mãos. Na minha fantasia tenho o cabelo preso em Maria Chiquinha como a heroína do game, e lhe confesso meu sentimentos. Sorrindo, tento explicar o quanto me enche de tesão quando ele tenta me ensinar algo no violão e abre sobre o braço do instrumento a mão grande e ossuda. Que me derrete ver seus dedos compridos comprimirem freneticamente o controle do videogame. Ele me responde com cócegas, claramente satisfeito com o que ouviu. Com as pontas dos dedos, percorre meu corpo nu, do quadril até a nuca. E eu sinto como se milhares de mãos me tocassem, cada dedo um pequeno impulso elétrico. Imagino-o como uma figura psicodélica de aparência fluida e com vários braços. 

Acordo lentamente dessa soneca, tranquilizada pela impressão de que poderei voltar ao estado de sono em breve, de forma tão natural quanto saí dele. 

Depois de um momento de um vazio mental confuso mas confortável me lembro do sonho e um monte de pensamentos me invadem a mente. Fico um pouco envergonhada com o que esse sonho representa. Uma espécie de evidência dessa atração que sinto por um outro cara. Ele continua a minha frente, vidrado na TV, comentando algo com a magrela ao seu lado. Me pergunto se é realmente sobre ele. Pensaria nele se não estivesse sempre tão próximo? Acho que não. Mas o caso é que ele está. Sempre desconfortavelmente próximo, roubando meu fôlego. E só de pensar me sinto com as pernas meio moles, como se até meus ossos ficassem macios, prontos para o seu toque.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

20 DIAS DE PRAIA- Feliz Natal


Dia 25 de dezembro é um desses dias mundiais de não fazer nada.
Um pouco como dia 1° de janeiro.
A solidão tá batendo forte.




Apesar de tudo, é sempre agradável reunir família, receber as gracinhas via SMS e Facebook dos amigos e tal. O fim do ano tá chegando de verdade, é tempo de reflexão, de desejar o melhor pra todo mundo a nossa volta, etc etc

Mas tá muito quente e eu ainda sinto falta do seu abraço.


Queria que você estivesse aqui pra fazer comigo esses planos pro futuro, pra escutar meus devaneios, pra compartilhar o raciocínio. Na sua falta, eu sei muito bem o gosto que eu procuro em cada pedaço de chocolate, o cheiro que eu procuro quando suspiro, a sensação tátil que procuro em cada coisa que eu toco. Sei o timbre que eu busco no que eu escuto, mas tá difícil de encontrar. Acho que seu gosto, seu cheiro, seu toque, sua voz
são únicos.



Mas minha alergia está quase curada (:
E meu cabelo poucas vezes na minha vida esteve tão ressecado. Praia faz um estrago...


Ainda nem cheguei na metade do livro que eu to lendo em espanhol. Muito menos comecei Os Miseráveis EUHEUHEUEHUEH
Vi outro show da Florence+The Machine na TV  a cabo. Essa mulher é o máximo.

Falando em mulher, a namorada do meu pai chegou. E os meus primos de Porto Alegre já foram embora. A Deborah está quase tão entediada quanto eu. A Diana também, aliás.

Não queria reclamar tanto de boca cheia, afinal, férias na praia! O que mais um ser humano pode querer? Mas a verdade é que eu tento fazer cada uma das minhas atividades mais simples (andar a até a geladeira, beber água, dar uma volta pela casa, ligar a TV, remexer nos discos dos meus tios-e me surpreender com a quantidade de ábuns do Pink Floyd, para logo depois me frustrar com o fato de que eu não consigo fazer o toca discos funcionar-, escovar os dentes... o mais lentamente possível, simplesmente porque eu não sei muito o bem o que fazer depois.


Fico lendo as revistas de arquitetura e interiores da minha tia e pensando que eu podia até trabalhar com isso... mas o que eu queria mesmo era, um dia, montar uma casa (ou apartamento) pra mim.
Cheguei a conclusão de que eu (nós), sou uma pessoa (somos um casal) extremamente urbana(o) e intelectualóide, porém nem tão pacata(o) quanto isso pode parecer. Fico pensando que a gente vai passar tanto tempo trancado em casa e no trabalho, que o happy hour de sexta feira talvez não seja suficiente pra arejar o cérebro, e um piquenique no fim de semana possa se tornar parte da rotina. Assim, quando nós formos um casal adulto e tal...

Não que eu passe meus dias pensando sobre nós dois e o que poderíamos estar fazendo e o que vamos fazer daqui a um tempo... ou que eu queira admitir isso...
Mas é que não tem muito mais o que fazer, mesmo.



Espero que suas férias estejam sendo proveitosas (mentira, espero que você esteja sofrendo, que nem eu).
Feliz Natal, meu amor <3

domingo, 23 de dezembro de 2012

20 DIAS DE PRAIA- e piscina

Não escrevi mais porque eu não tinha muito o que escrever, e resolvi usar meu acesso à internet limitado (e dividido com a irmã mais nova) pra outros fins.

A carência tá batendo forte. A solidão também. Talvez menos hoje, que um outro pedaço da família veio do RS pra cá pra passar o Natal com a gente.
E nos últimos dias o clima resolveu colaborar com a minha pele e minha melancolia e o céu permaneceu boa parte do tempo nublado. Dessa forma, aproveitamos mais a piscina (depois de tratar a água, aspirar o fundo e lavar a capa protetora- atividades das quais eu participei com ânimo quase inédito) do que a praia.

Agora a casa tá cheia e os preparativos pra ceia vão começar. O que provavelmente vai aliviar a solidão e o tédio... eu imagino. Mas ainda vou sentir sua falta, raio de sol (ai, que homossexual isso) D:

A dor no pescoço passou completamente (:
Mas eu arranjei uma alergia, bem séria, no pescoço também (o que na verdade é uma desculpa genial pra não ir pro sol ou pra praia ou alguma coisa assim. Se não coçasse tanto, eu estaria torcendo pra que ela durasse mais alguns dias).
E o negócio do carro tá andando... acho que a seguradora vai disponibilizar um carro pra gente enquanto esse está no concerto, mas isso vai ter que esperar o feriado do Natal.
Ah, tem Wii aqui.
Eu comprei pilhas pros controles. Mas não tem muito espaço pra jogar (e eu morro de preguiça, pra ser bem sincera).

É isso. Faz tipo uma semana que eu tô aqui, e já entrei naquela fase cansada e desanimada das férias. :/
Ah, é. E gorda. Normal.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

20 dias de praia- O primeiro dia de sol

Não que eu não tenha pegado sol ontem.
Mas não estava na praia ao meio dia. Hoje eu tava.

Coberta por uma generosa camada de protetor solar, uma saída de praia, chapéu e guarda sol...
Ainda assim queimei os ombros. Mas já vai passar, eu passei o dai tentando encher meu corpinho com água de coco pra ficar bem hidratadinha e já passei todos os hidratantes e cremes pós sol disponíveis na casa (já que a farmácia mais próxima fica a dois bairros (!!) daqui). Mas felizmente eles fazem entregas, então arranjei uns relaxantes musculares pro meu pescoço.

O resto do dia não teve nada de muito interessante. Minha irmã mais nova roubou o resto do meu miojo, eu não sei fazer a TV a cabo me obedecer ):
Mas eu comprei uma barra de milka ÊÊÊÊÊÊ

P.S.:Eu vi uma menina mais branca que eu (!!!) na praia, com uma menina moreninha de cabelo encaracolado em cima dela (literalmente). A gente podia ter uma filha com a cor da sua pele, né?

P.S.2: Sua camisa vai voltar pra Brasília cheirando a cânfora.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

20 DIAS DE PRAIA- Um diário de bordo

Check in, embarque no portão tal, assentos 10 D, E e F, despedida via SMS, duas horas de voo, "Senhoras e senhores, sejam bem vindos a Florianópolis", desembarca, recupera as bagagens... Não há nada de muito novo no trajeto que eu, papai e minha irmã mais nova fazemos todos os anos pra visitar um pedaço da família e pegar uns dias de praia.


SMS 


Para: Mamãe; Namorado
Cheguei numa boa (:



Pega o carro da tia; o rádio e os documentos tão com a prima, faendo prova da faculdade, porque ela morre de medo de deixar essas coisas com essas agências perto do aeroporto que ficam cuidando do carro e coisa e tal.

Para Açores, no sul da ilha.

Confesso que estava viajando na hora da batida, nem vi direito o que aconteceu. Foi forte e rápido, eu senti a dor no pescoço, mas não consegui raciocinar na hora. Juro que quando eu vi a camionete quicando na nossa frente achei que ela tivesse passado por cima do nosso carro. Olhei pra trás e vi um caminhão de todo o tamanho. Entrei em desespero quando vi que o vidro de trás não existia mais. Minha irmã estava chorando. Devia estar tão confusa quanto eu.

Aos poucos, as peças foram se juntando: O trânsito tava lento, o motorista (com cara de novinho) do caminhão atrás da gente deve ter se distraído e bateu no nosso carro, que foi jogado contra a camionete da frente.

Respira fundo. Todo mundo vivo? Ufa. Ninguém se machucou? Melhor. O carro tá esbudegado, nem é nosso e a gente tá sem os documentos. Ah, é, e a menina que está com os documentos tá em prova. Que azar!

Mas os policiais podem rastrear os dados do carro pelo sistema deles, o que é muito simpático, na verdade. E o caminhão era de empresa, com seguro, cobre tudo. Menos mal, né?
Mas a gente ainda vai ficar uns dias sem carro numa casa de praia meio longe até do mercadinho mais próximo (que aliás, é uma droga. Exceto pela prateleira de macarrão instantâneo, que é uma das mais completas que eu já vi). :/

Ocorrência registrada, fomos liberados. Estou com fome. Vamos para casa. Estou com fome. Que tal uma volta na praia? Estou. Com. Fome. OK, depois de almoçar. ESTOU COM FOME! Mas onde a gente vai arranjar almoço as 4h da tarde? ESTOU COM FOOOMEEEEEEEEE! Tá bom, tá bom.

É claro que minha irmã mais nova não vai me deixar comer peixe no meu primeiro dia de praia. Mas acho que hoje é um dia para absolver esses pequenos detalhes do cotidiano familiar. E eu espero continuar pensando assim por mais dezenove dias, mais ou menos.

PRAIA! Vento na cara, areia, sol, filtro solar (eca!), bikini e chapéu, o barulho das ondas... AH, o barulho das ondas!


A verdade é que talvez o pânico de passar três semanas longe dos amigos, do namorado, do gato e dos agitos da minha cidade tenha me feito esquecer que eu adoro praia. Até o sol queimando minha pele um pouco menos suavemente do que o recomendado pelos dermatologistas me parece agradável hoje.


Meu pai e minha irmã correm pra água e eu tenho um tempinho pra refletir, sozinha na areia, se morrer num acidente de carro é assim, rápido... TUM! Você não vê nada, mal sente e pronto, acabou. Assim, sem sofrimento...
Mergulho pra ver se a água gelada trás pensamentos mais fresquinhos.

O dia foi agitado...
Se as férias continuarem assim, acho que vou manter um diário... (:

P.S.: A lua tá linda aí também?